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Artigo

by gustavo.acioli last modified 2008-07-23 07:45

O "novo" e o "velho" na conjuntura da segurança pública

Artigo

Ruth Vasconcelos, Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas - Nevial/Ufal

 

Ruth Vasconcelos*

 

Alagoas vive um momento especial em sua história política. Contingências históricas, compostas por fatores locais e nacionais, favorecem o desenho de um cenário de mudanças mais esperançoso para todos. Um fato “novo” é a participação de instituições políticas, jurídicas e policias no encaminhamento de medidas de segurança voltadas para a proteção e a defesa dos cidadãos alagoanos. A atuação da Polícia Federal, da Justiça Estadual e do Ministério Público Estadual está tendo um efeito prático no campo da segurança, mas principalmente está produzindo um efeito subjetivo importante, na medida em que nos sentimos melhor representados e acolhidos pelos órgãos públicos que têm a função precípua de defender nossos interesses no espaço social.

Não podemos ser tomados por um entusiasmo ingênuo, acreditando que essas ações serão suficientes para reverter os índices de violência no Estado, nem tampouco podemos acreditar que possam barrar, definitivamente, as práticas de corrupção presentes em nossas instituições públicas e privadas. Mas, podemos ter a certeza de que o “velho” se mantenha através das desigualdades sociais e da estrondosa concentração de renda existente na terra dos marajás.

O “novo” é o “Fórum pela Vida e pela Paz”, constituído por “setores organizados e desorganizados” da sociedade civil alagoana, que está sintonizado com o desejo de uma sociedade menos intolerante e desamorosa. O “novo” é uma equipe de governo com disposição de atuar juntamente com o “Fórum Permanente pela Vida e pela Paz” n produção de um programa de valorização da vida, capitaneado por Antanas Mockus, ex-prefeito de Bogotá.

O “velho” são os crimes de pistolagem que continuam assustando a população; o “novo” é o crack que tem golpeado de morte nossa juventude. Entre o “velho” que se reproduz e o novo que se insurge, tenho esperança de que a sociedade alagoana irá despertar para seu necessário engajamento nas políticas de valorização da vida, com a certeza de que a polícia não consegue reverter sozinha esse cenário desolador, de inúmeras perdas de vida, se não houver a colaboração de cada pai, mãe filho, educador, padre, pastor, pai de santo, jornalista, político, policial etc, vivendo nesse Estado. O “novo” pode vir para ficar; mas, também, pode ser apenas uma “nuvem que passa”. É preciso participar e se manter vigilante na fiscalização e controle das políticas sociais em nosso Estado, exigindo que venham em favor da vida.

 

(*) É professora da Ufal e Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas – Nevial / Ufal.

 

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